5 de ago de 2019

Informática da morte: 69% votaram sim e adolescente deu fim à própria vida.



Imagem de loveombra por Pixabay
Uma enquete no stories: Sim ou Não. Viver ou Morrer.
A notícia saiu dia 15 de maio de 2019. Adolescente de 16 anos na Malásia tomou a decisão de dar cabo da própria vida, após 69% dos seu seguidores do Instagram votarem Sim.

Isso só acontece nestes tempos de redes sociais?


Não mesmo. Isso lembra o velho circo de Roma. Quem assistiu Gladiador deve se lembrar: ao final da luta, o povo dava seu "like" ou "dislike", vida ou morte para o derrotado. Mas a decisão final era do imperador.

Nesta triste notícia foi o contrário: 69% deram o seu "joinha" a favor da morte.

Quando eu estava no ginásio, lá no início dos anos 90, uma estudante se jogou do 3ª andar do colégio. Depois soubemos que ela já estava com problemas psicológicos. Porém a turma havia gritado Pula! Pula! Pula! quando ela estava já posicionada do lado de fora da janela.

A vida não é um jogo


Quem já passou por depressão sabe o que é o desespero. Você perde o chão, não vê mais porque continuar. Os motivos são muitos. Pode ser por muito pouca coisa. Porém é uma vida que está em jogo.

Curti muito o game Mortal Kombat na adolescência, ou "aborrecência" com dizem alguns. O ponto máximo de diversão do jogo era a finalização da luta: o Fatality, ou seja, morte violenta, das mais diversas maneiras imagináveis.

Lá pelas tantas sofri a amarga experiência da depressão. Não digo que este game foi o responsável, porém deixei de jogar desde então. Sei que muitos jogam e não vêem problema algum.

A questão é a banalização da vida, ou mesmo a banalização da morte. Quem sabe os 69% que votaram Sim não levaram a sério. Achavam que era só um jogo. Lá no ginásio, a turma que incentivou a estudante a pular, não achavam que era sério.

Somos tão modernos assim?


Lá como cá, montavam toda uma superprodução para dar um pouco de diversão para a platéia. Diversão cara e passageira. A paz e a felicidade duradora não precisa de tanto. Ela está "entre os sorrisos dos familiares e amigos, em sentar a frente de suas casas com vizinhos e ter uma boa prosa por horas e horas ao fim da tarde." - como Alcenir Borges escreveu no seu blog

Desumanização na era da informação. Eu e você somos tão "modernos"? Ou somos apenas o povão sedento de sangue, como aquele do tempo do circo de Roma? Afinal, não era muito diferente: bastava acenar com um "deslike" e o "espetáculo" da morte acontecia na arena, para delírio da galera.

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